Jovens e álcool mistura perigosa
Em qualquer idade, o alcoolismo é uma tragédia. Na maioria dos casos, ele destrói o indivíduo, desequilibra a família e traz um custo imenso para a sociedade. Quando atinge pessoas jovens, no entanto, ganha cores ainda mais dramáticas. Pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas – Senad, em parceria com a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, mostra que os adolescentes participam de forma cada vez mais expressiva da estatística do alcoolismo no País e já correspondem a 10% da parcela de brasileiros que bebem muito, somando um total de 3,5 milhões de jovens.
A pesquisa da Senad e Unifesp envolveu 2,6 mil entrevistas com pessoas de 14 anos ou mais, em 129 municípios. Além de apresentar a parcela de jovens que abusam do álcool, o estudo mostra que, pela primeira vez, as meninas estão bebendo quase tanto quanto os meninos. A idade média em que os adolescentes começam a beber é de 14 anos.
Muito se especula sobre as razões que estão levando os jovens a beber tanto. Há alguns motivos conhecidos. Entre a turma, a bebida é uma ferramenta de socialização. Um dos grandes problemas é perceber quando se está passando do limite.
Afinal, porres são comuns na juventude. Mas é possível ter alguns indícios de que a situação está fugindo ao controle. Entre eles, estão bebedeiras diárias ou nos finais de semana, desinteresse em festas que não tenham álcool, agressividade, isolamento e escolha de amigos que só saem para beber.
É importante saber distinguir o consumo normal do preocupante para que o adolescente de hoje não se torne um dependente de álcool. Há 19 milhões de brasileiros nessas condições. Na vida dessas pessoas, a bebida transformou-se num motor de destruição.
Os prejuízos não se limitam à vida pessoal do indivíduo. Uma das mais terríveis conseqüências do alcoolismo são os acidentes de trânsito. Anualmente, 35 mil pessoas morrem nas estradas brasileiras devido ao uso abusivo de álcool. Aproxima-se do total de homicídios - 48 mil por ano, segundo a Organização dos Estados Ibero-Americanos.
Na esfera do comportamento, os especialistas recomendam maior rigor. “Adolescente não tem de beber. Festa de 16 anos não pode servir cerveja. A sociedade precisa ter uma participação mais crítica”, afirma Ilana Pinksy, professora da Unifesp. O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, também da Unifesp, defende ações preventivas mais contundentes. “É fundamental priorizar a prevenção para que aqueles que não bebem não adotem o hábito”, diz.
Fonte: OBID (Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas). |