Qual o futuro do trabalho? 

Em seu último ano do Ensino Médio, os alunos da Cooperativa discutem e analisam as suas perspectivas profissionais no projeto Empreendedorismo. Na disciplina de Geografia, os alunos fizeram uma análise mais profunda sobre a realidade do mercado de trabalho, visitando os prós e contras da Reforma Trabalhista, debatendo sobre o cenário atual e projetando o futuro do trabalho e do trabalhador. Qual o futuro do trabalho? Estamos no caminho certo? Qual a função do Estado? Confira a reflexão de alguns de nossos alunos:

Danilo Burjato Villas Boas

A globalização é um fator de extrema importância ao analisar as condições trabalhistas. A globalização criou novos arranjos empresariais, novas relações de trabalho, a flexibilização da produção e a terceirização, obrigando o Estado a criar novas políticas voltadas ao trabalho que atendam as necessidades dos empregados e muitas vezes acabam não agindo de forma eficaz e então ficam na mão de empresas multinacionais que exploram a mão de obra barata de países subdesenvolvidos. Esse tipo de relação de trabalho vem crescendo cada vez mais e a tendência é permanecer aumentando, levando em consideração a força que essas empresas têm no cenário mundial globalizado. Se tudo continuar como está, os trabalhos informais e terceirizados vão tomar uma proporção irreversível o Estado deve agir em função desses trabalhadores obrigando condições dignas proporcionadas por essas multinacionais aproximando as relações e arranjos entre empregadores e empregados.

Tainá Veloso Pandolfi

O conceito de trabalho vem sendo moldado e modificado desde seu surgimento. No entanto, a partir do início das Revoluções Industriais, observou-se o advento das relações hierárquicas interpessoais provenientes desse trabalho, uma vez que se faz existente um detentor dos meios de produção e um indivíduo que vende sua força de trabalho. Em um mundo globalizado, que conta com os representativos avanços tecnológicos da Revolução Técnico-Científica-Informacional no processo produtivo, com a intensa mecanização fabril, aliado ao modelo econômico capitalista neoliberal, que promove a busca incessável por lucro, aumentando o poder empresarial e minimizando a atuação estatal na economia, as relações trabalhistas entre empregador e empregado vem sendo modificadas constantemente em proporções desiguais de benefícios.

Com o aumento das máquinas nas fábricas, houve uma desvalorização do proletariado de baixa qualificação, aquele que vende sua força de trabalho, uma vez que os aparelhos em questão permitem sua substituição no processo produtivo promovendo uma maior produtividade. Tal fato requer uma maior especialização desses indivíduos, que, muitas vezes sem condições de atingir essa qualificação, buscam outras formas de obtenção de renda. Além disso, as empresas contemporâneas almejam à maior isenção possível de responsabilidade para com o trabalhador, optando pela terceirização de seus funcionários e a pressão sobre os Estados para a implantação de reformas que tornem esse funcionário mais vulnerável às explorações, o que, apesar de explicitamente injusto, acaba por se concretizar dada a interdependência entre o governo e as companhias privadas. Tais fatores explicam os altos índices de trabalho informal e o aumento da desigualdade social no país, além de contextualizar as precárias condições as quais o proletariado muitas vezes se sujeita.

   Analisando-se o panorama atual e baseando-se em reformas que vêm ocorrendo no meio trabalhista, conclui-se que, o futuro do trabalho tende a ser cada vez mais terceirizado, e os trabalhadores tendem a ter cada vez menos pontos de apoio, uma vez que há o constante enfraquecimento de sindicatos, além da banalização do trabalho informal. Em uma concepção neoliberal, pode-se afirmar que “estamos no caminho certo”, já que tais condições as quais os trabalhadores são submetidos aumenta os lucros do proletário, no entanto, socialmente, observa-se uma explícita perda de perspectiva sobre o real valor das coisas e das pessoas, na qual o ser humano é “coisificado” enquanto bens materiais são supervalorizados. Apenas em uma situação como essa, torna-se aceitável o uso do fato da expansão de lucro para justificar a exploração explícita da classe proletária. A atuação do Estado no cenário da globalização e do neoliberalismo, em teoria, deve ser mínimo na economia e máximo na sociedade, em sua manutenção de direitos e deveres, porém, na prática, um Estado que deveria estar oferecendo boas condições de vida a sua população, promovendo o aumento do IDH de tal, encontra-se dependente de empresas, detentoras do maior poder no mercado internacional, sendo influenciado a direcionar seus esforços quase que exclusivamente ao desenvolvimento exacerbado do PIB.

Lissa Mai Ballabio Osera

O trabalho e suas relações mudaram devido a revolução industrial. Antes, o modelo de produção era manufatureiro, uma única pessoa fazia o produto inteiro, de maneira desacelerada e técnica, depois, a mão de obra passou a ser menos técnica, algo menos estabilizado, passando a ser fácil a substituição de trabalhadores nas fábricas. Após um tempo de maus tratos aos trabalhadores, movimentos surgiram e com eles a conquista de alguns direitos.

O futuro do trabalho é incerto, mas através do caminho que está sendo seguido pode-se fazer algumas especulações, mesmo após um avanço no quesito direitos trabalhistas a pauta “precarização do trabalho” ainda está muito em alta, esta significa a diminuição ou extinção desses direitos e a quebra do vínculo empregador e empregado. Essa situação se dá devido a globalização, que traz novos padrões, baseado, principalmente, no barateamento nos custos de produção. O caminho em que as relações de trabalho estão trilhando é um caminho para a exclusão social, aumentando o trabalho informal.

É função do estado a manutenção dos direitos dos trabalhadores, uma vez que estes são a base do processo de produção, ou seja, de extrema necessidade e importância.

Júlia dos Santos Miguez

O processo de industrialização, iniciado no século XVIII, causou grandes transformações no mundo. As principais delas são a urbanização, o crescimento demográfico e o surgimento do operariado, com a exploração do trabalho.

O trabalho informal é exercido por aqueles trabalhadores que não possuem Carteira de Trabalho assinada, laborando assim por conta e risco próprios.

A economia informal é muito comum em países subdesenvolvidos e emergentes. Seu desenvolvimento ocorre em consequência do desemprego estrutural, da cobrança de tributos e da burocracia para atuar legalmente.

Para o trabalhador, as consequências vão desde a perda de garantias da legislação trabalhista, como estabilidade, FGTS, férias remuneradas e outros benefícios até problemas para cumprir com compromissos por conta da ausência da renda garantida.

O conceito de precariado aponta que a informalidade é a tendência mundial do mercado de trabalho. Haverá trabalho no futuro, mas não necessariamente emprego. Contudo, não estamos no caminho certo.

No Brasil, essa atividade é consequência do excesso de tributos, burocracia para atuar legalmente, desemprego estrutural, entre outros fatores, sendo a única forma para milhões de pessoas terem uma fonte de renda. Porém, a economia informal também é praticada por organizações criminosas.

A diminuição da burocracia, e principalmente dos impostos, está na lista de sugestões de especialistas e empresários preocupados com a grande informalidade na economia. E também seria de extrema importância que o Estado investisse na educação, para a formação de futuros trabalhadores especializados; em empresas estatais, gerando empregos e em políticas públicas

Crédito da imagem: https://unsplash.com/photos/IgUR1iX0mqM